Acordar com tiros num parque de campismo manhoso na Austrália

Este parque de campismo onde fui parar é o pior dos muitos em que já fiquei pelo país fora, embora a situação seja boa, em cima da praia. O problema é que está cheio de pequenas casas pré-fabricadas que dá a ideia serem ocupadas por pessoas que ali ficam o ano inteiro. Cada um vai fazendo umas modificações na “barraca” à sua medida e no fim mais parece um bairro de barracas ao estilo do que imagino ser o Parque de Campismo da Caparica.

Lá encontrei a zona de relva onde me deveria instalar. Ao meu lado estava uma família de árabes, composta por três casais e um numero indeterminado de crianças. Montaram quatro tendas em forma de quadrado e, no meio, encheram de tapetes a cobrir a relva onde passou a ser a sala de estar/jantar. Falavam todos muito alto mas não pareciam estar zangados e quando me deitei, pelas dez da noite, continuava a algazarra.

Às duas e meia da manhã dei um salto dentro do saco cama quando acordei ao som de tiros. Primeiro seis, espaçados por cerca de um segundo e, passado meio minuto, outros seis. Espreitei fora da tenda mas a noite estava escura e não vi nada embora ouvisse as vozes dos árabes. Pensei que estariam a festejar qualquer coisa mas custou-me voltar a adormecer.

No dia seguinte levantei-me cedo e fui com o computador para junto da recepção apanhar sinal de internet. Quando voltei à tenda, pelas nove e meia, estavam eles a acabar de desmontar o seu bairro para partirem.

Arranquei para sul e fui ver uma pequena praia que me tinham recomendado, a uns 200 Km de ali, por onde se chega através da floresta.

Quando cheguei à praia estavam uns franceses a filmar uns pássaros lindos, do género de papagaios, que lhes vinham comer pão à mão. Pedi-lhes um pouco de pão e juntei-me à festa a fazer umas imagens com a Go Pro.

Da parte da tarde, continuei rumo ao sul junto à costa por uma fantástica estrada já com curvas e muitas partes através de floresta. Infelizmente o tempo piorou e fiz a tarde quase toda debaixo de chuva. Parei em Broulee Beach onde resolvi alugar um “bungalow” pois continuava a chover e não quis montar a tenda com aquele tempo. Para além disso uma pessoa a quem tinha perguntado o caminho para o parque, já na vila, disse-me que se aproximava uma tempestade, porventura idêntica à que tinha apanhado uns dias antes.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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