Este é o carro do piloto que queria ser presidente

Em 1964, Dan Gurney era um dos poucos pilotos americanos conceituado de ambos os lados do Atlântico. Foi Gurney, que na altura tinha trocado a Ferrari pela Porsche para conquistar a sua primeira vitória na Fórmula 1, que convenceu Colin Chapman a construir um carro para as 500 Milhas de Indianapolis e mudar a prova americana para sempre. E foi essa influência que levou a revista americana Car & Driver a apoiar uma candidatura do piloto a Presidente dos Estados Unidos, independente dos partidos políticos.

Apesar de uma campanha bastante convincente, a ideia foi logo abandonada, pois Dan Gurney ainda só tinha 33 anos e não podia ser eleito presidente nessa eleição. E embora os seus amigos voltassem a falar no assunto cada vez que havia uma eleição, o piloto americano preferiu avançar com o seu novo projeto: uma equipa 100 por cento americana, que fosse capaz de ganhar corridas na América e na Europa, e construir carros para clientes com o nome Eagle. A divisão britânica, a Anglo American Racers, apenas ganhou o GP da Bélgica de 1967, com Gurney ao volante (o primeiro americano a ganhar um GP de F1 num carro americano), mas a All American Racers tornou-se um construtor de renome, conquistando 51 vitórias na Indycar, das quais três 500 Milhas de Indianapolis (1968, 73 e 75). Ao mesmo tempo, também criou um Plymouth modificado para andar na estrada, o AAR Cuda.

Gurney criou o AAR Cuda em 1970, quando geria a equipa oficial oficial da Chrysler, com dois Plymouth Barracuda, no campeonato Trans-Am, aberto a muscle cars americanos. O modelo de estrada usava o motor 340 Six Pack, um V8 de 5,6 litros com três carburadores duplos, que debitava 290 cv. Este exemplar foi restaurado para ficar com a pintura original do AAR Cuda, tem bancos com apoio lombar, caixa automática de três velocidades e pneus Goodyear Polyglas com jantes Rallye. Fez menos de 1500 km desde o restauro, e agora está à procura de novo num leilão da Mecum Auctions.